LIVRO Urbis Nefasta PDF Felix Santos

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Resumo

Este livro contém poesias confeccionadas ao longo de mais de 30 anos. Não foi fácil selecionar, como não foi fácil encontrar relações entre elas, apesar de vários aspectos estéticos e temáticos ainda per­sistirem na minha relação com a expressão poética. Por isso, às vezes há repetições figurativas, semelhanças temáticas, recursões imagéti­cas. Um dos objetivos dos processos de seleção adotados foi exata­mente evitar que estas recorrências tornassem a leitura monótona ou pouco atraente.Em alguns casos eu cedi à tentação de modificar poemas antigos, porque o que vale para mim é uma poesia dinâmica, sempre passível de atualização. Eu preservo para meu próprio delírio as versões origi­nais dos poemas que foram modificados. Isto não significa que elas são melhores ou piores em algum sentido do que as versões aqui pu­blicadas, mas que eu sinto-me neste momento mais contemplado des­ta forma.Os poemas foram organizados em cinco blocos: Infância, Urbis Ne­fasta, Recife, Abstração e Fragmentos. Infância reúne trabalhos rela­cionados tanto às emoções da minha infância, quanto às emoções da tragédia da miséria e violência nas vidas de crianças. Urbis Nefasta apresenta uma coleção de poemas cujos centros estéticos e perturba­dores situam-se na vida social e urbana e seus incômodos processos de (des)orientação dos afetos e das emoções. Recife foi constituído como um bloco separado de Urbis Nefasta por ser o polo geográfico (nevrálgico) de onde a maioria dos poemas emanaram, mas onde alo­quei somente poemas sobre a cidade e algumas pessoas que marca­ram e ainda marcam minha experiência existencial naquela cidade. Em algumas situações mais radicais, não encontrando uma forma me­nos abstrata de expressão, optei por uma (quase) completa destitui­ção do conteúdo lógico dos versos em prol de uma estética e ritmos mais adaptados ao fluxo de emoções que não podia mais ser contido. Estes versos estão organizados em Abstração. O último bloco é cons­tituído pelos poemas que eu tive mais dificuldade em compartilhar, porque expressam os meus sentimentos mais radicais em relação à vida fragmentária e fragmentada que desloca todos os aspectos mais relevantes à alegria de viver para relações fetichistas com os objetos das cidades, com sua geometria, com os objetos de consumo e com as próprias pessoas. Ainda, permeiam estes poemas a confusão de afetos e objetos escondida sob uma (des)figuração ou necessidade de mostrar desempenho como a qualidade mais importante dos indivídu­os de uma sociedade.Daí um pouco a razão do título do livro: observo, nas cidades, um fluxo de pessoas, objetos, utopias e universos, mas que correspon­dem frequentemente à consequências caóticas, insatisfatórias, genoci­das, suicidas. A poesia permite conversar sobre estas coisas, produ­zindo compreensões além dos sentidos das coisas. Não procure aqui por razões ou soluções para estes dilemas, isto é somente um livro de poesias. A única realidade é a matéria de que foi feito: radicalidade e sinceridade.