LIVRO “UMA CENTOPEIA COM UMA PERNA DE PAU”: OS CONTOS DE FADAS LIBERTAM A ALMA DOS FEITIÇOS (ENSAIO DA SÉRIE: TEMAS DE PSICOLOGIA ANALÍTICA Livro 18) PDF Maria Dias

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Resumo

«(…) Cada conto de fadas é um sistema relativamente fechado, exprimindo um sentido psicológico essencial e único, que se traduz numa série de imagens e de acontecimentos simbólicos. (…) Todos os contos de fadas tentam descrever um só e único fator, de tal modo complexo e significativo, tão difícil de representar em todos os seus diferentes aspetos, que centenas de contos e milhares de versões (comparáveis às variações dum tema musical) são necessários para que esse fator desconhecido penetre na consciência, sem que, com isso, o tema se esgote. Este fator desconhecido é aquilo a que Jung chama o Si-Mesmo, que é a totalidade psíquica do indivíduo, ao mesmo tempo que ele também é, paradoxalmente, o centro regulador do inconsciente coletivo. Ora cada indivíduo, cada povo tem a sua própria forma de fazer a experiência desta realidade psíquica. Os diversos contos de fadas oferecem esboços gerais das diferentes fases desta experiência. Uns referem-se à fase inicial que corresponde à integração da sombra e somente dão um breve resumo do que virá a seguir. Outros desdobram-se sobre a experiência do animus ou da anima assim como sobre a das imagens do pai e da mãe que constituem o seu plano de fundo, e deslocam-se igualmente bem sobre os problemas anteriores relativos à sombra, assim como sobre o seu desenrolar. Outros ainda desenvolverão o tema do tesouro inacessível ou impossível de obter, e de outras experiências centrais da mesma ordem. Não existe uma diferença qualitativa entre estes contos porque, no domínio arquetípico, não existe escala de valores, pela simples razão de que cada arquétipo é, na sua essência, um dos aspetos do inconsciente coletivo, ao mesmo tempo que representa sempre a totalidade deste último.» (Marie-Louise von Franz, “L’Interprétation des contes de Fées”, 1995, pp. 12 -13)