LIVRO Paraíso Devastado: Amazônia – Verdades e mitos PDF Osair Junqueira

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Resumo

Nesta narrativa autobiográfica, Osair Junqueira discorre sobre fatos verídicos ocorridos nos idos anos de 1970 e 80, quando abdicou-se de uma vida confortável , subsidiada por cargos executivos e burocráticos, para assim, atender a um propósito pessoal e ideológico (um chamado d’alma, como ele diria em seus escritos poéticos) de contribuir com a ampliação do agronegócio do Brasil pela Amazônia adentro, em uma época em que o país vivia outra realidade política, econômica e social e consequentemente com outra concepção sobre proteção ambiental.

Não se pode negar que o espírito empreendedor, aventureiro e destemido de Junqueira tenha provocado os “causos” de tirar o fôlego dos menos avisados, à medida que se evolui a leitura.

“Se eu pretendi percorrer as matas mais inóspitas, navegar os rios escondidos, fazer voar pelos ares um pequeno avião e outros tantos desejos, eu o consegui em razão do acalentar dos meus sonhos, do meu meditar sereno e de minhas reflexões fortalecidas pela fé. Matas, rios e espaço aéreo passaram a fazer parte de mim, conseguindo o milagre da realização através da força mental, compreendida e medianamente explorada.”

“Ao chegar à região, desambientado e acostumado à vida mais segura dos centros do país, só aprendi a me defender e a lutar pelos meus direitos, depois de vários percalços.”

Percalços narrados em uma linguagem simples, despretensiosa porém, carregada de muita sensibilidade, onde o leitor poderá se sentir vivenciando as situações ocorridas com os personagens da vida real, flutuando entre o medo e a euforia, entre a angústia e o alívio, tal como no trecho:

“um Cessna 180, bem esbagaçado, com a carenagem toda amarrada por pedaços de arame. Só tinha um banco: o do piloto. O eventual passageiro ia sentado sobre uma lata vazia, de óleo, ou no assoalho sujo de semente e areia. No piso daquele monstrinho, um buraco, redondo, com um raio aproximado de meio metro, que servia para espalhar sementes, nos plantios de capim, nas grandes fazendas. O painel de controles era de assombrar: com exceção do altímetro, do velocímetro e do marcador de combustível, o resto eram buracos abertos por toda a extensão, sem nada a ocupá-los: um assombro. E o mais interessante é que aquilo voava mesmo.”
Por fim, o leitor irá se deparar com o sentimento conflituoso de um homem, que embora amasse a natureza, em especial a Amazônia, e que muito fez por aquela região e seu povo, construindo escolas, abrindo estradas, respeitando, protegendo e aprendendo com os indígenas, ainda assim se penitenciava, ao final da vida, por se sentir como um dos responsáveis pela devastação do seu próprio paraíso, relatado no capítulo “A foz do grande rio”.

Junqueira enfim, cumpre seu propósito de desmistificar crenças sobre a evolução do desmatamento da Amazônia, com sua diversidade, sua força e seu povo, sem vieses de radicalismo ou paixões exacerbadas.

Junqueira faleceu em Goiânia, em 08/03/2014, sem que tenha tido a oportunidade de publicar esta obra, sonho agora realizado por seus filhos e netos.

“É que de suas mentes (do homem branco) sai a semente que, depois de germinada, nascerá em forma de pragas que abafam e matam os bons sentimentos, a alegria e a paz.” – De um velho índio Xerente, à beira de um rio, sobre momentos de dificuldade e irritação.