LIVRO O fim que os deuses darão a mim ou a você PDF Edson Soares

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Resumo

Ludovica é uma pequena cidade de 60 mil habitantes, encravada no sertão nordestino. Um lugar tão abrasador e fumegante que mais parece uma caldeira, onde as pessoas têm o costume de fritar ovo com toucinho nas pedras ferventes dos calçamentos. É neste cenário que a trama se desenvolve, basicamente em três dias, no período de 10 a 13 de dezembro de 2012. O ápice se dá exatamente em 12/12/12, a misteriosa data envolta na superstição sobre o fim do mundo anunciado pelo calendário maia. Amarildo Feitosa, um respeitável senhor de 50 anos, casado, pai de três filhas, é o delegado titular da Delegacia de Homicídios da cidade. Quando a história começa, Feitosa está sobrecarregado com a rotina das investigações de sua delegacia: o caso do contraventor que flagrou a esposa com o amante e surrou os dois quase até a morte; a dona de uma pensão (uma senhora sexagenária) que se apaixonou por um jovem hóspede e o assassinou friamente, após ser rejeitada; e o estudante amalucado que tentou assassinar os vizinhos, acusando-os de lhe roubar seus objetos eróticos. Além destes e de outros casos, o delegado também está cheio de problemas domésticos: a gravidez inesperada de Letícia, a filha mais velha; o casamento infeliz com Adélia, a esposa vaidosa e arrogante que ele não ama; e as loucuras da mãe, Quitéria, uma viúva de setenta anos, ninfomaníaca e alcóolatra, que está se aventurando com garotos de programa e frequentando casas de jogos ilegais. Em meio a tudo isso, o delegado Feitosa ainda tenta esconder um caso amoroso que ele mantém às escondidas, “o único motivo de fazê-lo sorrir na atual circunstância”. Algo que, se for revelado, provocará o fim de sua carreira na Polícia Civil.Poderia ficar pior? Claro. Na segunda-feira, dia 10 de dezembro, a população de Ludovica é abalada pelo brutal assassinato de Pedro Bulhões, o mais famoso ator de teatro da cidade, um artista polêmico, amado e odiado, homossexual assumido e de língua solta. O ator tinha lançado bem recentemente uma autobiografia onde contava detalhes picantes de sua vida amorosa, que envolvia figuras da alta sociedade local. Teria sido esse o motivo de tão bárbaro crime?As más notícias para o delegado não param por aí. Numa blitz, a polícia prende um rapaz que, ao puxarem sua ficha, descobrem ser suspeito de cometer vários assassinatos em série, principalmente de mulheres. Os jornais logo noticiam o fato: “Prenderem o Carrasco do Diabo, matador de mulheres”. A partir daí, o autor potiguar Edson Soares desenvolve um romance surpreendente, com uma trama intrincada e magistralmente concatenada. Usando um estilo ousado e criativo (que mistura as características próprias do romance policial com a linguagem jornalística, cinematográfica, teatral, radiofônica e de graphic novel), o autor vai cruzando a vida dos diversos personagens em um verdadeiro quebra-cabeça. A cada página, a impressão que se tem é de estar puxando o fio de um novelo, e quanto mais se puxa, mais conexões entre os personagens vai se descobrir. Quanto mais o livro avança, mais o leitor se aproxima do cerne da história e de seus verdadeiros protagonistas. Uma trama tão intricada que é até difícil classificar o livro, sendo uma mistura de drama, romance, thriller de suspense e mistério, com pitadas de humor, erotismo e realismo fantástico. Outro ponto que chamará a atenção dos leitores é a estrutura da obra. Ela é composta por um prólogo, dez partes (livros), um epílogo e um post-scriptum. No meio dessa estrutura, entretanto, temos os intermezzos (intervalos) e os excertos (trechos retirados de outras obras literárias).Os intermezzos são compostos pelos trechos do diário escrito pela personagem Letícia, a filha mais velha do delegado Feitosa, que está vivendo uma grande paixão por um jovem jogador de basquete. Através desse diário, nós tomamos conhecimento de tudo o que aconteceu antes do período descrito pela trama e também da rotina desta personagem tão complexa e perturbada.