LIVRO Cursivo Menor PDF António Vera

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Resumo

Rosto de pai poeta, conhecedor, curioso, sensível, atento! Atas à palavra a emoção, memória e pensamento para teceres quadros, melodias de vida e cor sentidas…

Meu rosto de menino, meu filho! Quanto tempo foi preciso para me reveres tua mãe! Dar-te a mão e dizer-te: não te deixo só! Nunca mais naufragado num mundo sem sentido! Porque “o tempo e o pensamento partidos (…) esparralham-se, que nem cacos”. Não mais despedidas, nem partidas, meu menino!… Guardados em mim ficam teus “soluços aflitos” que cavaram de oco o teu coração! Que te fizeram sentir na vida a hipocrisia, o zero, a indiferença, perante essa dor aprisionada, culpada, sentida!…

Meu menino, pai, que não deixaste de procurar no outro, no verbo, um sentido! É verdade que silente ficaste, tantos anos… Mas não emudecido! Que manancial de cultura insuspeitada ajuntaste! Tanto tempo foi preciso: o tempo e a distância para estancar a dor!…

Meu querido irmão! Rosto que admiro, mesmo sendo teu o “olhar muito cansado”! Como pudeste sobreviver, com tanta coragem! Como pudeste enfrentar o temor e “vir ao mundo outra vez, a fim de firmar a sombra, que deixei cair aos pés”! Coragem de te emudeceres tanto! Coragem de te desgarrares agora, vivo “baleote (…) queres a liberdade”!

Não pares, não pares agora de o fazer! Porque nos ensinas a crescer, a ver o mundo, a aprender outras paragens…

Tua filha que te ama.

Maria José Martins de Azevedo